Relato
Parem de atirar, somos músicos, relembra cantora de banda de forró sobre ação policial que matou dançarina no Nordeste
Cinco pessoas estavam em um carro quando o veículo foi atingido por disparos feitos por PMs

Publicado em 05/07/2019 18:35 - Atualizado em 05/07/2019 18:35

Vocalista da banda, Joelma Rios a esquerda e dançarina morta à direita

Do G1 - "Atiraram para matar. Eu nunca passei por isso", diz Joelma Rios, de 44 anos, vocalista da banda cearense Sala de Reboco, sobre a ação policial que deixou ela e o sanfoneiro do grupo feridos, além de causar a morte da dançarina da banda.

Joelma foi atingida nas nádegas e de raspão no braço. Após receber atendimento, foi liberada do hospital. Ela conta que apesar de perceber que se recupera bem, o sentimento de tristeza toma conta dela e de todos da banda.

"Imprudência. Infelizmente perdemos nossa companheira, Gabi, de 25 anos, era uma menina maravilhosa, tão meiga, nossa companheira. A gente vai voltar sem ela, a família esperando. Ela fazia de tudo um pouco, costurava, era cabeleireira, vivia batalhando. No período do São João, a gente organizou uma turma e chamou ela [Gabriela] para completar a equipe", relatou Joelma, que está há três anos nos vocais da banda.

 
Dançarina morreu após abordagem policial na Bahia — Foto: Reprodução/Instagram

Dançarina morreu após abordagem policial na Bahia — Foto: Reprodução/Instagram

Emocionada, a cantora relembrou o momento da ação que causou a morte de Gabriela. Ela contou que as marcas dos tiros estavam no carro e na sanfona de Eliedelson Possidônio Júnior, que foi atingido na perna.

 

"Gabi saiu com a mão na barriga, dizendo que estava sentindo dor. E ele [Possidônio] disse que não sentia a perna, a panturrilha dele ficou esfacelada. Foi horrível", disse.

 

Gabriela e Possidônio foram socorridos para o Hospital Regional de Irecê. A dançarina não resistiu aos ferimentos. Já o sanfoneiro corre o risco de perder a perna.

Joelma relatou que ela e os demais foram surpreendidos pelos tiros e que não houve qualquer sinalização policial para abordagem, como sinal de luz ou funcionamento do giroflex. Na ocasião, foi notado pelas dançarinas que um carro estava seguindo eles, mas que o grupo não viu que era viatura, pois as luzes estavam baixas.

"As meninas [dançarinas] perceberam e falaram: 'Tem alguém seguindo a gente'. Para desviar seguimos por outras ruas da cidade e chegamos a achar que não tinha mais ninguém nos seguindo. Até que tinha um carro atravessado na rua, no escuro e só ouvimos os disparos. Assustado, o motorista acelerou. Cada um tem uma reação diante de um caso desconhecido", relembra.

"A gente não sabia que era a polícia. Foi tudo muito rápido", contou.

Por meio de nota, a Polícia Militar informou que o Comando de Policiamento Regional da Chapada (CPR) instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) que vai apurar as circunstâncias da ocorrência. Disse ainda, conforme informações da Companhia Independente de Policiamento Tático (CIPT)/ Rondesp Chapada, que o carro da banda seguia na contramão.

Disse que o carro furou dois bloqueios feitos pela polícia e que foram encontradas garrafas de bebidas alcoólicas no interior do automóvel. A Polícia Civil também informou que vai apurar o caso.


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