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Operação que resultou em morte de policial da Paraíba foi autorizada pelo 8º Batalhão da PM do RN
Ordem de serviço aponta que militares deveriam agir sem farda e faz parte do inquérito que apura o caso.

Publicado em 07/11/2019 14:40 - Atualizado em 07/11/2019 14:40

Cabo da PM da Paraíba, Edmo Tavares, morreu em confronto com policiais militares do Rio Grande do Norte — Foto: Cedida


Direto do G1 RN - A operação de busca a um foragido no município de Tacima, na Paraíba, que acabou com a morte de um policial militar paraibano foi autorizada pelo comando do 8º Batalhão da Polícia Militar do Rio Grande do Norte. O documento consta no inquérito policial que investiga a ação. Os três policiais militares do RN envolvidos na ação estão afastados de suas funções.

"Todo deslocamento de um estado para o outro, de uma polícia militar para outra, é feito o contato entre os comandantes gerais, como já fizemos anteriormente em várias outras ocorrências tanto com a Polícia Militar da Paraíba, como do Ceará. Eu não tive conhecimento, por isso não mantive contato com o coronel Euller Chaves (comandante geral da PB) informando dessa operação, pedindo autorização e um trabalho conjunto", disse à época.

G1 voltou a procurar a corporação nesta quinta-feira (7) para saber se houve falha do Batalhão, porém a assessoria de imprensa informou que o comando não iria comentar, por ser um assunto apurado pelo inquérito militar instaurado. Já a Polícia Militar da Paraíba reforçou que não foi comunicada da operação da PM potiguar.

A ordem de serviço, à qual o G1 teve acesso, determinava que os policiais da inteligência deveriam cumprir decisão judicial e ir até o distrito de Cachoeirinha, em Tacima, na tarde do dia 29 de outubro, para checar uma informação sobre a localização do foragido. Além disso, eles deveriam executar a prisão do indivíduo, caso as informações se confirmassem.

O documento ainda informava que os policiais deveriam estar descaracterizados (sem farda) e que o chefe da seção deveria manter contato com o policiamento local, para avisar sobre a ação.

Defesa

A defesa dos três policiais militares do Rio Grande do Norte envolvidos na morte do PM da Paraíba alega que eles comunicaram à polícia do município paraibano sobre a operação. Porém, o advogado da família do cabo Edmo Tavares, de 36 anos, afirma que a comunicação foi informal, feita a um cabo.

O caso aconteceu no dia 29 de outubro deste ano. Durante a ação, o policial Edmo Tavares, de 36 anos, que estava de folga, teria confundido os policiais com bandidos. Houve um tiroteio entre ele e os policiais potiguares. Atingido, o militar paraibano acabou morrendo.

Após o caso, os militares foram afastados das funções e respondem a um inquérito civil aberto pela Polícia Civil da Paraíba, além de um inquérito militar aberto pela PM do Rio Grande do Norte.

De acordo com a advogada Kátia Nunes, os militares potiguares atenderam a todos os requisitos da ordem de serviço assinada pelo comandante do 8º Batalhão do Rio Grande do Norte, em Nova Cruz.

"O comandante expediu uma ordem de serviço determinando que a inteligência fizesse o levantamento. E a inteligência chegou lá na cidade de Tacima, procurou o policiamento local e houve a informação de onde essa pessoa poderia se encontrar. Então, a viatura permaneceu no local e a inteligência foi fazer o levantamento só que se depararam com o foragido e outro, determinaram que eles fossem ao solo, adotaram as providências de segurança de área, fizeram a revista e nesse momento a pessoa de Edmo efetuou o disparo. Foi ai que a Polícia Militar do estado do Rio Grande do Norte revidou", afirmou.

"Em verdade, o que eu posso dizer é que houve uma precipitação por parte de Edmo. Ele sabia que não pode abordar e muito menos efetuar disparo quando se encontra em uma situação de desvantagem numérica. E ele não fez essa observação. Ele sequer se identificou. Tudo está totalmente documentado. Os policiais cumpriram integralmente a determinação do seu comandante, que obedecia à determinação da Justiça.", acrescentou a advogada.

Questionada sobre o relato de testemunhas que dizem que o policial paraibano teria se identificado, antes de sofrer os tiros, ela afirmou que outras pessoas dizem o contrário.

G1 procurou o comandante do 8º Batalhão, Coronel Genilton Tavares, mas ele preferiu não comentar o caso.


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